Do estatuto pronominal de ‘a gente’ e cliticização

Jania M. Ramos, Francisca Paula Maia

Resumo


Neste artigo focalizamos a polêmica sobre o estatuto pronominal dea gente no português brasileiro, instaurada por Taylor (2009). Assumindo a direcionalidade da gramaticalização como direcionalidade de movimento sintático (ROBERTS; ROUSSOU, 2003), a trajetória “a gente> a’ent> ent” é apresentada como movimento de N para D. Supondo que a direcionalidade é uma escala implicacional, argumentamos que a cliticização de ‘a gente’ implica por si apronominalização.


Palavras-chave


Pronome; Clítico; Gramaticalização; A Gente; Nominativo

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