Referenciando semioses não verbais: breves reflexões

Thaís Ludmila da Silva Ranieri

Resumo


A referenciação, como vários autores vêm chamando atenção, não se estabelece como uma atividade crivada apenas no plano textual, mas a partir da ativação de elementos de semioses diversas em seu processo. Percebemos que não são apenas os elementos verbais que podem ser referenciados dentro do texto, já que os sujeitos referenciam qualquer elemento não verbal presente em suas interações. Em vista disso, o presente trabalho tem por objetivo levantar algumas reflexões em torno do estudo da referenciação, tendo por base lançar um olhar para os aspectos multimodais e colaborativos necessários para se estabelecer a progressão referencial. Nossos resultados permitem-nos mostrar que a referenciação não se dá somente do verbal para o verbal, mas todas as semioses são ativadas e passam a atuar como objetos de discurso.


Palavras-chave


Referenciação; multimodalidade; semioses não verbais

Texto completo:

PDF

Referências


BENTES, Anna Christina; RIOS, Vivian Cristina. A construção conjunta da referência em uma entrevista semimonitorada com jovens universitários. In: BENTES, Anna Christina; KOCH Ingedore Villaça; MORATO, Edwiges Maria (Org.). Referenciação e Discurso. São Paulo: Contexto, 2005. p. 265- 294.

CAVALCANTE, Mônica Magalhães; CUSTODIO FILHO, Valdinar. Revisitando o Estatuto do Texto. Revista do GELNE, Teresina, v. 12, n. 2, p. 56-71, 2010.

CUSTÓDIO FILHO, Valdinar. Múltiplos fatores, distintas interações: esmiuçando o caráter heterogêneo da referenciação. 2011. 330 f. Tese (Doutorado em Linguística) – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza. 2011.

MONDADA, Lorenza. A referência como trabalho interativo: a construção da visibilidade do detalhe anatômico durante uma operação cirúrgica. In: BENTES, Anna Christina; KOCH Ingedore Villaça; MORATO, Edwiges Maria (Org.). Referenciação e Discurso. São Paulo: Contexto, 2005. p. 11-32.

MORATO, Edwiges Maria. (In)determinação e subjetividade na linguagem de afásicos: a inclinação antireferencialista dos processos enunciativos. Caderno de Estudos Linguísticos, Campinas, v. 41, p. 55-74, jul./dez. 2001.

MORATO, Edwiges Maria. Aspectos sócio-cognitivos da atividade referencial: as expressões formulaicas. In: MIRANDA, Neusa Salim; NAME, Maria Cristina (Org.) Linguística e Cognição. Juiz de Fora: Editora UFJF, 2005. p. 79-94.

NORRIS, Sigrid. Analyzing Multimodal Interaction: a methodological framework. Londres/Nova Iorque: Routledge, 2001.

RAMOS, Paulo Eduardo. Tiras cômicas e piadas: duas leituras, um efeito de humor. 2007. 421 f. Tese (Doutorado em Linguística) – Universidade de São Paulo, São Paulo. 2007.

RAMOS, Paulo Eduardo. Estratégias de referenciação em textos multimodais: uma aplicação em tiras cômicas. Linguagem em (Dis)curso, Santa Catarina, v. 12, n. 3, p. 743- 763, set./dez. 2012.

RANIERI, Thaís Ludmila da Silva. Multimodalidade e referenciação no gênero comentário. In: III COGITE - Colóquio sobre Gêneros & Textos [recurso eletrônico] 2013. Anais... Teresina: EDUFPI, 2014, p. 115-127.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2016 Estudos Linguísticos (São Paulo. 1978)