O humor como disfarce para o malandro crítico de Noel Rosa

Mayra Pinto

Resumo


A construção da personagem do malandro na obra de Noel Rosa é atravessada por um tipo de humor que sugere uma estratégia discursiva de disfarce para abordar de modo crítico determinados valores dominantes. Nasce uma voz irônica, debochada, cínica muitas vezes, que fala de uma perspectiva não existente até então no que se refere às tensões sociais implícitas em seu universo. O discurso ambíguo, do humor e da ironia, foi também uma estratégia de disfarce que permitiu a entrada em cena de uma voz diferente, que encenava seu desprezo pelo caótico e injusto mundo da ordem com a apologia despudorada pelo caótico e alegre mundo do prazer. Para compreender a determinação histórica do discurso de humor, a análise baseia-se em A cultura popular na idade média e no renascimento, de Bakhtin. E, para compreender por que o discurso de humor pode ser tão eficaz em criar um efeito de sentido crítico, disfarçado ou atenuado, contribui o enfoque psicanalítico – especificamente do ensaio “O humor”, de Freud.


Palavras-chave


Noel Rosa; canção; humor; ironia; enunciação.

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