Memória e discurso: a construção do professor grevista a partir de editoriais jornalísticos

Poliana Ferreira Santos

Resumo


Este artigo aborda, pelo viés da memória, discursos acerca de greves de professores paulistas que circularam em editoriais de um jornal de grande relevância nacional, a Folha de S. Paulo, em sua versão impressa. O objetivo do trabalho é demonstrar de que forma o que é discursivizado no jornal ao longo das greves docentes da rede estadual paulista constitui uma memória da cultura de greve dos professores no estado. E, a partir dessa cultura, almeja-se perceber como se dá a construção de sentidos e juízos de valor referentes à imagem do professor grevista. Para tanto, foram analisados editoriais publicados desde a primeira greve paulista, em 1963, até o movimento docente de 2015. O percurso interpretativo do estudo consiste na mobilização de conceitos discutidos por Bakhtin e o Círculo e dos estudos contemporâneos de Marília Amorim acerca da memória do objeto. As análises sugerem que a cultura de greve constituída pelas discursivizações da Folha aponta para a valoração do docente inicialmente como uma categoria ordeira, com reivindicações legítimas e, ao longo da constituição da cultura, há uma reapreciação dos docentes como desarticulados, agindo com objetivos políticos e de forma descomprometida com a educação.


Palavras-chave


Análise do Discurso; memória; professor grevista

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DOI: https://doi.org/10.21165/el.v46i3.1563

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