Registros de coda nasal no primeiro ano do ensino fundamental

Simone Rizzatto Albertini

Resumo


Neste estudo, busca-se traçar trajetos que possam ser típicos do processo de aquisição de escrita de sílabas com coda nasal do Português. Foram observados registros e não-registros da coda nasal em produções escritas ao longo do primeiro ano do Ensino Fundamental, em escola particular. Identificamos a tendência de os sujeitos grafarem sílabas CV não-convencionalmente (“AVK” para “avenca”) nas primeiras produções e passarem a registrar a sílaba CV (“BEGALA” para “bengala”), ainda no primeiro semestre do ano letivo. Já no segundo semestre, a tendência foi a de não haver registros de sílabas CV e haver registros não-convencionais da coda nasal (“CEN” para “quem”) que flutuam com registros convencionais dessa coda (“VENTO”). Ao final do primeiro ano letivo, todos os oito sujeitos analisados flutuam entre grafar e não grafar convencionalmente a coda nasal, evidenciando a aquisição da sílaba complexa, embora ainda não tenham dominado a convenção ortográfica do seu registro.

Palavras-chave


coda nasal; sílaba; ortografia; língua portuguesa; ensino fundamental

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DOI: https://doi.org/10.21165/el.v46i2.1751

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