Memória, fronteiras e discursos: o corpo em cenas prototípicas de protestos feministas

Emanuel Angelo Nascimento

Resumo


Este artigo se desdobra sob a perspectiva do materialismo-histórico e, tendo como base o dispositivo teórico da Análise do Discurso francesa, visa analisar a materialidade significante do corpo na relação corpo, memória e discurso, em cenas prototípicas de protestos feministas, observando os movimentos dos discursos na relação com os sentidos pré-construídos que se colocam na fronteira entre a evidência e a opacidade. Assim, ao trabalhar com a imbricação entre a materialidade verbal e não-verbal (ORLANDI, 1995) que produzem efeitos de sentido que deslizam metafórica e metonimicamente para outros sentidos, analisamos as formulações visuais do corpo que se desdobram em diferentes imagens do sujeito (LAGAZZI, 2014a), tendo em vista os processos de estruturação do conflito e da tensividade do/no social a partir dos espaços ocupados por estes corpos e atravessados que são pelo simbólico, pela ideologia e pela história.

Palavras-chave


cenas prototípicas; corpo; discurso feminista

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DOI: https://doi.org/10.21165/el.v47i3.1921

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