A mobilização da memória discursiva no movimento ciberfeminista: análise da hashtag #metoo

Julia Lourenço Costa

Resumo


O assédio, que faz parte das temáticas específicas abordadas pelo movimento social feminista (HIRATA et al., 2009), será discursivamente analisado neste artigo a partir da irrupção e circulação da hashtag #metoo #eutambém, que tomou as redes sociais no final de 2017. Ancorados na Análise do discurso francesa, mobilizaremos as noções de memória e des-memória discursivas (PAVEAU, 2013a, 2013b, 2015, 2017) procurando depreender como essas noções contribuem para instauração da polêmica como interincompreensão (MAINGUENEAU, 2008), isto é, gerando uma espécie de dissenso, manifestado a partir de diversas posições enunciativas. O movimento feminista tem ganhado cada vez mais força no ciberespaço, onde o chamado ciberfeminismo (LALONDE, 2012) vem se apropriando das ferramentas virtuais disponíveis. A hashtag, enquanto tecnopalavra (PAVEAU, 2017), participa da argumentação ciberativista como ponto de ancoragem do debate público acerca de determinada temática; portanto a hashtag é encarada, neste artigo, como sintetizadora de questões político-ideológicas.


Palavras-chave


ciberativismo; ciberfeminismo; memória discursiva; des-memória discursiva; polêmica

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.21165/el.v48i3.2223

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