A forma perifrástica 'ainda mais': uma descrição discursivo-funcional

Michel Gustavo Fontes

Resumo


Com base no modelo teórico-metodológico da Gramática Discursivo-Funcional (HENGEVELD; MACKENZIE, 2008), este artigo descreve a estrutura composicional e o funcionamento discursivo da forma perifrástica ainda mais. A partir de ocorrências reais de uso do português contemporâneo, extraídas do Córpus do Português (DAVIES; FERREIRA, 2006), o objetivo é mapear propriedades funcionais e formais que subjazem ao uso de ainda mais. Os resultados revelam que ainda mais, enquanto forma fixa do português, constitui uma partícula escalar absoluta (SCHWENTER, 2000); no âmbito da GDF, ainda mais corresponde a um primitivo gramatical do Nível Interpessoal, especificamente função (pragmática) Contraste Seletivo (cf. DIK, 1997a; PEZATTI, 2014), com escopo sobre o Subato ou sobre o Conteúdo Comunicado.


Palavras-chave


Gramática Discursivo-Funcional; forma fixa; focalização; escalaridade

Texto completo:

PDF

Referências


BAAR, T. van. Particles. In: DEVRIENDT, B.; GOOSSENS, L.; AUWERA, J. Complex Structures: A Functionalist Perspective. Berlin/New York: Mouton de Gruyter, 1996. p. 259-300.

BRINTON, L.; TRAUGOTT, E. Lexicalization and language change. Cambridge: Cambridge University Press, 2005.

BYBEE, J. Language, usage and cognition. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.

CARBALLO, M. A. C. El concepto de unidad fraseológica. Revista de lexicografía, n. 4,

p. 67-80, 1998.

DAVIES, M.; FERREIRA, M. Corpus do Português: 45 millionwords, 1300s-1900s. 2006. Disponível em: http://www.corpusdoportugues.org. Acesso em: 10 jan. 2019.

DIK, S. C. The theory of functional grammar. Part I: The structure of the clause. Berlin/New York: Mouton de Gruyter, 1997a.

DIK, S. C. The theory of functional grammar. Part II: Complex and derived constructions. Berlin/New York: Mouton de Gruyter, 1997b.

FONTES, M. G. A distinção léxico-gramática na Gramática Discursivo-Funcional: uma proposta de implementação. 2016. Tese (Doutorado em Estudos Linguísticos) – Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, São José do Rio Preto, 2016.

HANNAY, M.; HENGEVELD, K. Functional Discourse Grammar: Pragmatic aspects. In: BRISARD, F.; ÖSTMAN, J.-O.; VERSCHUEREN, J. (ed.). Grammar, meaning and pragmatics. Amsterdam: Benjamins, 2009. p. 91-116.

HENGEVELD, K. Epilogue. In: MACKENZIE, J. L.; GÓMEZ-GONZÁLEZ, N. de los A. (ed.). A new architecture for Functional Grammar. Berlin/New York: Mouton de Gruyter, 2004.

p. 365-378.

HENGEVELD, K.; MACKENZIE, J. L. Gramática Discursivo-Funcional. In: SOUZA, E. R. (org.). Funcionalismo linguístico: novas tendências teóricas. Tradução Marize Mattos Dall’Aglio-Hattnher. São Paulo: Contexto, 2012. p. 43-82.

HENGEVELD, K.; MACKENZIE, J. L. Functional Discourse Grammar: a typologically-based theory of language structure. Oxford: Oxford University Press, 2008.

ILARI, R. Sobre os advérbios focalizadores. In: ILARI, R. (org.). Gramática do português falado: níveis de análise linguística. v. 2. 4. ed. rev. Campinas: Editora da UNICAMP, 2002. p. 181-198.

KEIZER, E. A Functional Discourse Grammar for English. Oxford: Oxford University Press, 2015.

KEIZER, E. The X is (is) construction: an FDG account. In: MACKENZIE, J. L.; OLBERTZ, H. Casebook in Functional Discourse Grammar. Amsterdam: John Benjamins, 2013. p. 213-248.

KÖNIG, E. The Meaning of Focus Particles. Routledge: London, 1991.

PEZATTI, E. G. A ordem das palavras no português. São Paulo: Parábola Editorial, 2014.

SCHWENTER, S. A. Lo relativo y lo absoluto de las partículas escalares incluso y hasta. Oralia, n. 3, p. 169-197, 2000.




DOI: https://doi.org/10.21165/el.v48i2.2377

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2019 Estudos Linguísticos (São Paulo. 1978)