O prefácio visto como uma prática discursiva em que diferentes vidas e obras se entrecruzam

Ida Lucia Machado

Resumo


Neste artigo, buscamos explicitar as razões que nos levaram a mesclar tanto o sintagma quanto alguns conceitos da teoria de Narrativa de vida em nossas pesquisas analítico-discursivas. Propomos aqui uma reflexão sobre uma forma de discurso testemunhal: a do teórico que não só viu nascer, como acompanhou o crescimento e assistiu à criação de uma teoria linguístico-discursiva, e que toma a palavra para comentá-la em um prefácio. Tal ato comunicativo revela, por um lado, o percurso teórico do autor da obra prefaciada e, por outro, deixa entrever marcas que remetem à vida acadêmica daquele que assina o prefácio; este breve espaço de fala se torna assim, um lugar de encontro de dois eus que dialogam sobre alguns pontos em comum de suas vidas.


Palavras-chave


Análise do Discurso; prefácio; percurso acadêmico; narrativa de vida

Texto completo:

PDF

Referências


BANDEIRA, M. Auto-retrato. In: BANDEIRA, M. Bandeira. Estrela da vida inteira – poesias reunidas. 4. ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1973. p. 331.

BERTAUX, D. Le récit de vie. 2. ed. Paris: Armand Colin, 2005.

BURRICK, D. Une epistémologie du récit de vie. Recherches Qualitatives, n. 8, p. 7-36, 2010. Disponível em: . Acesso em: 30 set. 2013.

CHARAUDEAU, P. Langage et discours. Paris: Hachette, 1983.

CHARAUDEAU, P. Préface. In: BOYER, H. L’écrit comme enjeu. Paris: Didier/Credif, 1988. p. 5-7.

CHARAUDEAU, P. Grammaire du sens et de l’expression. Paris: Hachette, 1992.

DOUBROVSKY, S. Fils. Paris: Gallimard, 2001a.

DOUBROVSKY, S. Un amour de soi. Paris: Gallimard, 2001b.

DOUBROVSKY, S. Le dernier moi. In: BURGELIN, C.; GRELL, I.; YVES-ROCHE, R. (Dir.). Autofictions. Lyon: Presses Universitaires de Lyon, 2010. p. 383-393.

DUCROT, O. Le dire et le dit. Paris: Minuit, 1984.

DRUMMOND DE ANDRADE, C. Confidência do itabirano. In: DRUMMOND DE ANDRADE, C. Sentimento do mundo. [S.l.]: PasseiWeb, 2013. Disponível em: . Acesso em: 5 out. 2013.

FAYE, J.-P. L’expérience narrative et ses transformations. Paris: Hermann Editeurs, 2010.

GENETTE, G. Nouveau discours du récit. Paris: Seuil, 1983.

GERBER, A. Le récit de vie, un récit initiatique révélateur d’un double processus de médiation. In: GOHARD-RADENKOVIC, A.; RACHEDI, L. (Dir.). Récits de vie, récits de langues et mobilités. Paris: L’Harmattan, 2009. p. 251-267.

GUILLEMETTE, L.; LÉVESQUE, C. La narratologie. In: HÉRBERT, L. (Dir.). Signo. Québec: Signo, 2006. Disponível em: . Acesso em: 30 set. 2013.

LEJEUNE, P. Le pacte autobiographique. Paris: Seuil, 1975.

MACHADO, I. L. Práticas discursivas: construindo identidades na diversidade... e na adversidade. In: GOMES, M. C. A.; MELO, M. S. S.; CATALDI, C. (Org.) Práticas discursivas: construindo identidades na diversidade. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa, 2009. p.103-118.

MACHADO, I. L. A AD, a AD no Brasil e a AD do Brasil. In: PAULA, L.; STAFUZZA, G. (Org.). Da Análise do Discurso no Brasil à Análise do Discurso do Brasil: três épocas histórico-analíticas. Uberlândia: EDUFU, 2010. p. 203-230.

MACHADO, I. L. Uma analista do discurso face aos ditos de dois políticos: narrativas de vida que se entrecruzam. Revista Eletrônica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentação, Ilhéus, n. 3, p. 68-81, nov. 2012. Disponível em: . Acesso em: 5 out. 2013.

PARANÁ, D. Lula, o filho do Brasil. 3. ed. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2008.

POTTIER, B. Préface. In: CHARAUDEAU, P. Langage et discours. Paris: Hachette, 1983. p. 3-4.

SALMON, C. Storytelling: la machine à formater des histoires et à formater les esprits. Paris: Ed. de La Découverte, 2007.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2015 Estudos Linguísticos (São Paulo. 1978)