A desumanização: do luto à melancolia no romance de Valter Hugo Mãe

Angélica Catiane da Silva de Freitas

Resumo


Este texto tem como objetivo mostrar como a personagem Halldora, narradora-protagonista do romance A desumanização (2013), de Valter Hugo Mãe, passa da tristeza relativa ao luto à melancolia, causada por outras perdas que se sucedem à morte da irmã gêmea: o amor da mãe, que torna-se rejeição; a perda da inocência, iniciando ainda criança na vida sexual; a perda de um filho; e, principalmente, a perda da sua própria identidade, uma vez que a relação especular eu/ outro, no caso de gêmeos, é ainda mais acentuada. Para tanto, utilizamo-nos das distinções de Sigmund Freud entre luto e melancolia, em seu artigo de 1917, e concluímos que o percurso da protagonista do romance converge com as premissas da melancolia postuladas por aquele. Segundo Urânia Tourinho Peres (2011), a melancolia tem sido uma das principais características do sujeito contemporâneo, de modo que nos interessa entender como a Literatura recente tem abordado o tema em questão.


Palavras-chave


A desumanização; luto; melancolia.

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Referências


AGAMBEN, G. O que é o contemporâneo. In: AGAMBEN, G. O que é o contemporâneo? e outros ensaios. Tradução de Vinícius Nicastro Honesko. Chapecó: Argos, 2009. p. 55-73.

FREUD, S. Luto e melancolia. Tradução, introdução e notas de Marilene Carone. São Paulo: Cosacnaify, 2011. 144 p.

MÃE, V. H. A desumanização. Porto Editora: Portugal, 2013. 238 p.

PERES, U. T. Uma ferida a sangrar- lhe a alma. In: FREUD, S. Luto e melancolia. Tradução, introdução e notas de Marilene Carone. São Paulo: Cosacnaify, 2011. p. 101-137.




DOI: https://doi.org/10.21165/el.v45i3.613

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