Mobilização das mídias por grupos neofascistas: o caso do sapo Pepe
DOI :
https://doi.org/10.21165/el.v55i1.3853Résumé
Este artigo, desdobramento de uma pesquisa de doutorado em Linguística Aplicada (Linguagem e Tecnologia), discute a mobilização de grupos neofascistas nas mídias digitais no contexto do capitalismo cognitivo. Analisa-se a trajetória de apropriação da imagem do sapo Pepe, que se consolidou como um dos principais ícones da ultradireita norte-americana durante a eleição de Donald Trump (2016). Retomam-se, ainda, dois casos correlatos: o Movimento 5 Stelle, na Itália, como exemplo pioneiro do uso de marketing digital pela extrema-direita, e a atuação de Steve Bannon, estrategista da campanha de Trump e fundador de The Movement, cujo modelo inspirou articulações em diferentes contextos, como o Brexit, a alt-right, o Vox e o bolsonarismo. Argumenta-se que memes, plataformas e práticas digitais não constituem artefatos neutros ou meramente humorísticos, mas tecnologias discursivas que participam da produção de subjetividades, afetos e formas contemporâneas de mobilização política. Nesse sentido, defende-se a necessidade de repensar os letramentos críticos à luz das condições tecnológicas de produção de sentido, apontando para a urgência de práticas educativas orientadas por letramentos antifascistas no contexto das mídias digitais.
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© Estudos Linguísticos (São Paulo. 1978) 2026

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