Memória de brincadeira: o dito e o não dito nas brincadeiras de escola

Cidarley Grecco Fernandes Coelho

Resumo


Este trabalho analisa discursivamente vídeos do portal e a descrição na fanpage do projeto Memórias do Futuro, que, com o propósito de não deixar se perder as memórias de infância, armazena, divulga e faz circular práticas do brincar, em um discurso de preservação, e para isso utiliza tecnologias móveis. A análise em questão mostra a relação dos sujeitos com o uso da tecnologia para registro nas práticas educativas, e refl ete sobre o discurso que nesse projeto é atravessado pela “memória metálica” (ORLANDI, 2010), na qual os sentidos de brincar, de ontem e de hoje, se cristalizam, e se produzem na evidência de uma necessidade constante de estocagem, enquanto preservação e não historicidade. Para analisar discursivamente as formulações do projeto, os não ditos, o apagamento de sentidos, é preciso estabelecer uma relação de sentido na materialidade do “silêncio signifi cante” (ORLANDI, 1995).


Palavras-chave


Análise de Discurso; Memória; Tecnologia

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Referências


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