Escravidão e loucura: uma leitura do conto "A escrava", de Maria Firmina dos Reis

José Gomes Pereira

Resumo


Este trabalho se refere a um estudo sobre o conto “A Escrava”, da escritora brasileira Maria Firmina dos Reis, publicado na Revista Maranhense (1887:1 nº 3), o qual aborda a problemática da discriminação racial em nosso país, ainda na época da escravidão. São três as categorias de vozes do discurso no conto: a voz dos escravocratas, na qual aparece a figura do senhor; a voz dos abolicionistas, em que aparece a senhora, a narradora inicial; e a voz da escravizada, que é Joana, a escrava. Há, no conto, a falta de acordo entre o discurso religioso de igualdade/solidariedade e as vozes do discurso de relação de poder entre senhores e escravizados. O objetivo do trabalho é analisar as metáforas da desumanização: a figura do negro que fala da África, que só se enxerga livre quando olha para o passado vivido nas terras africanas. A abordagem está inserida no quadro teórico-metodológico da metáfora da alienação de Frantz Fanon, na qual a insanidade se revela como uma consequência do processo colonial.

Palavras-chave


mulher negra; escrava; loucura

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.21165/el.v46i3.1695

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