O infinitivo flexionado do português paulista dos séculos XVIII, XIX e XX: um estudo sintático-diacrônico

Sarah Leite Vargas

Resumo


Este estudo apresenta uma análise sobre o infinitivo flexionado dos séculos XVIII, XIX e XX sob uma perspectiva diacrônica. Por meio do estudo dos infinitivos flexionados (MAURER JR., 1968; RAPOSO, 1987; PIRES, 2006; SALLES, 2006; MARINS, 2009; MODESTO, 2011) e de estudos de sintaxe diacrônica, foram analisadas ocorrências desse fenômeno em textos do português paulista dos séculos mencionados, tomando como base para a análise o parâmetro do sujeito nulo (DUARTE, 1995). O enfraquecimento da flexão dos verbos no português brasileiro é crescente (GALVES, 1993), contudo o infinitivo flexionado contraria essa perda de flexão, sendo utilizado mesmo na escrita em contextos em que não está prevista sua ocorrência (CANEVER, 2012). Nos textos paulistas, observamos os contextos de presença dos infinitivos e o seu crescimento e, no último século, uma presença mais restrita. Por meio do Parâmetro do Sujeito Nulo, foram analisados trechos de cartas, a fim de entendermos o processo de enfraquecimento da flexão no português brasileiro e o crescimento da realização do sujeito.


Palavras-chave


infinitivo flexionado; sintaxe diacrônica; sujeito nulo

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DOI: https://doi.org/10.21165/el.v47i1.2017

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