Gêneros oclusos na telecolaboração: a variação na estrutura retórica da sessão oral de teletandem inicial

Laura Rampazzo

Resumo


O projeto Teletandem Brasil (TELLES, 2006) proporciona a estudantes universitários o contato intercultural entre falantes de línguas distintas em um ambiente telecolaborativo em que cada participante auxilia seu par na aprendizagem de sua língua. O presente artigo apresenta os resultados de uma investigação da estrutura retórica de um evento comunicativo que ocorre neste contexto, a sessão oral de teletandem inicial (SOTi), compreendida como um gênero (RAMPAZZO; ARANHA, 2018, 2019b), a fim de verificar se há relação entre a variação em sua estrutura e o fato de os participantes não terem acesso ou experiência anterior com esse evento comunicativo nem conhecimento de sua estrutura retórica esperada, considerando que a SOTi possa ser um gênero ocluso (LOUDERMILK, 2007; SWALES, 1996). Nossos resultados indicam que a variação pode estar associada à oclusão da SOTi, uma vez que os participantes devem recorrer a outros gêneros e experiências prévias para a produção da sessão oral de teletandem inicial.


Palavras-chave


telecolaboração; gêneros oclusos; estrutura retórica

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DOI: https://doi.org/10.21165/el.v48i3.2175

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