A descentralização do sujeito lírico em Micheliny Verunschk

Édila de Cássia Souza Santana

Resumo


O presente artigo propõe-se a analisar o poema “Infibulação”, presente em Geografia íntima do deserto (2003), da escritora pernambucana Micheliny Verunschk. A partir da análise do poema, discutimos como se configura a intimidade na poesia de Micheliny, que se manifesta de maneira contrária à configuração presente na tradição, ao voltar-se para o exterior, projetando o sujeito lírico para fora de si (COLLOT, 2013). Nesse sentido, se estabelece a discussão do sujeito lírico descentrado que percorre outros espaços, outros objetos e propõe uma nova forma de estetização que problematiza as noções de subjetividade e de lirismo, mediante um novo olhar à luz de novas teorias. Uma poesia que opta pela exploração da linguagem, do mundo e das coisas e não do sujeito em si.


Palavras-chave


poesia contemporânea; Micheliny Verunschk; subjetividade

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DOI: https://doi.org/10.21165/el.v48i2.2241

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