Algumas imagens espectrais da modernidade: dimensões do diálogo epistolar de Gilberto Freyre com Oliveira Lima, Manuel Bandeira e José Lins do Rego

Silvana Moreli Vicente Dias

Resumo


Gilberto Freyre foi um prolífico escritor de cartas. Nesse contexto, seria indispensável, ao lado da publicação do vasto diálogo epistolar entre o ensaísta e seus correspondentes, um estudo de aspectos que dimensionem o alcance dos problemas que a escrita de cartas pelo autor propõe. Lançarei algumas hipóteses de leitura sobre a epistolografia de Freyre, observando como ele estrutura discursos multifacetados diante de seus principais correspondentes, sobretudo o diplomata e historiador Manuel de Oliveira Lima (1867-1928) e os escritores Manuel Bandeira (1886-1968) e José Lins do Rego (1901-1957). Portanto, seria importante considerar aspectos performáticos dessa escrita em processo, com uma peculiar mis e-en-scène que desafia não só o pesquisador o qual se lança no trabalho de organização desses conjuntos; mas também o intérprete da correspondência, o qual deve notar que qualquer aproximação demanda inúmeras mediações ou, ainda, uma análise em perspectiva multidisciplinar desse material.


Palavras-chave


Gilberto Freyre (1900-1987); Manuel de Oliveira Lima (1867-1928); Manuel Bandeira (1886-1968); José Lins do Rego (1901-1957); Epistolografia; Modernismo brasileiro

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