O gênero epistolar como instância enunciativa legitimadora do modernismo brasileiro

Manuel Veronez

Resumo


De acordo com Dominique Maingueneau, na obra Discurso Literário (2012), todo enunciado, inclusive a obra literária, implica uma cena de enunciação, o que justifica sua proposta de apreender as obras enquanto dispositivos de comunicação. A respeito da cena de enunciação, o autor ainda esclarece que ela se constitui de três cenas que operam sobre planos complementares, a saber: a cena englobante, a cena genérica e a cenografia. A partir desta categoria enunciativa e de outros conceitos, objetivamos, neste trabalho, analisar de que maneira o gênero epistolar se constituiu, entre os modernistas brasileiros, como uma instância enunciativa privilegiada por meio da qual se buscou fundar e legitimar o movimento modernista no campo da arte brasileira. Para tanto, analisaremos, especificamente, algumas cartas trocadas entre Mário de Andrade e Carlos Drummond de Andrade.


Palavras-chave


cena de enunciação; gênero epistolar; modernismo brasileiro; Mário de Andrade; Carlos Drummond de Andrade.

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Referências


ANDRADE, C. D. de. 1902-1987. Carlos e Mário: correspondência entre Carlos Drummond de Andrade – inédita – e Mário de Andrade: 1924-1945 / Carlos Drummond de Andrade, Mário de Andrade. In: FROTA, L. C. (org.). Apresentação e notas às cartas de Mário de Andrade: Carlos Drummond de Andrade; prefácio e notas às cartas de Carlos Drummond de Andrade: Silviano Santiago. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi Produções Literárias, 2002. 616 p.

MAINGUENEAU, D. Discurso literário. São Paulo: Contexto, 2012. 336 p.

MAINGUENEAU, D. Gênese dos discursos. Tradução de Sírio Possenti. Curitiba: Criar Edições, 2008. 184 p.

PÊCHEUX, M. O discurso: estrutura ou acontecimento. Campinas: Pontes, 1990[1983]. 68 p.




DOI: https://doi.org/10.21165/el.v45i3.672

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