A construção diz que... mas: uma abordagem sistêmico-funcional e cognitivista

Paulo Roberto Gonçalves-Segundo

Resumo


O objetivo deste artigo é analisar a configuração léxico-gramatical, semântico-discursiva, argumentativa e conceptual da construção diz que... mas, a partir da convergência teórica entre a Linguística Sistêmico-Funcional e a Linguística Cognitiva, com ênfase na Teoria da Avaliatividade e na Teoria dos Espaços Mentais. Conclui-se que a construção ativa, na oração primária, um recurso de expansão dialógica: distanciamento, responsável pela emergência de um espaço mental de FALA, no qual um Dizente genérico realiza uma atividade de autoatribuição de propriedade, ao passo que, na secundária, aciona-se um recurso de contração dialógica: contra-expectativa, que sinaliza a incompatibilidade entre o comportamento de um ator social e sua vinculação ao grupo identitário ligado à propriedade construída na primária, a partir de um frame de caracteres hegemônicos instalado na BASE.


Palavras-chave


Avaliatividade; Espaços Mentais; Linguística Sistêmico-Funcional; Linguística Cognitiva; construção

Texto completo:

PDF

Referências


ALMEIDA, Maria Lúcia Leitão. Processamento de Mesclagem em Anguladores no Português do Brasil. Veredas: Revista de Estudos Lingüísticos. Juiz de Fora, v. 3, n. 1, p. 129-142, 2009.

BUTLER, Christopher S. Cognitive adequacy in structural-functional theories of language. Language Science, v. 30, p. 1-30, 2008.

CASSEB-GALVÃO, Vânia. Gramática discursivo-funcional e teoria da gramaticalização: revisitando os usos de [diski] no português brasileiro. Filol. linguíst. port., São Paulo, n. 13, v. 2, p. 305-335, 2011.

CUTRER, Michelle. Time and Tense in Narrative and in Everyday Life. Tese (Doutorado em Ciências Cognitivas) – Universidade da California, San Diego, 1994.

DAVIDSE, Kristin. Semiotic and Possessive models in relational clauses: thinking with grammar about grammar. Revista Canaria de Estudios Ingleses, Santa Cruz de Tenerife, n. 40, p. 13-35, 2000.

DAVIDSE, Kristin. The subject–object versus the agent–patient asymmetry. Leuven Contributions in Linguistics and Philology, Leuven, n. 86, p. 413–431, 1997.

EEMEREN, Frans; GROOTENDORST, Rob; HENKEMANS, A. Francisca. Argumentation: Analysis, Evaluation, Presentation. London: Lawrence Erlbaum Associates, 2002.

EVANS, Vyvyan; GREEN, Melanie. Cognitive Linguistics: an introduction. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2006. 857 p.

FAUCONNIER, Gilles. Mental Spaces. Cambridge: Cambridge University Press, 1994 [1985].

FAUCONNIER, Gilles. Mappings in Thought and Language. Cambridge: Cambridge University Press, 1997.

FAUCONNIER, Gilles; TURNER, Mark. The way we think: conceptual blending and the mind’s hidden complexities. New York: Basic Books, 2002.

FERRARI, Lilian. Os parâmetros básicos da condicionalidade na visão cognitivista. Veredas, Juiz de Fora, v. 4, n. 1, p. 21-30, 2009.

FERRARI, Lilian. Introdução à Linguística Cognitiva. São Paulo: Contexto, 2011. 171p.

GEERAERTS, Dirk. Recontextualizing grammar: Underlying trends in thirty years of Cognitive Linguistics. In: TABAKOWSKA, E. et al. Cognitive Linguistics in action: from theory to application and back. Berlin: De Gruyter, 2010. p. 71-102.

GOLDBERG, Adele. Constructions work. Cognitive Linguistics, v. 20, n. 1, p. 201-224. 2009. Disponível em: . Acesso em: 9 out. 2014.

GONÇALVES SEGUNDO, Paulo Roberto. O papel da avaliatividade na construção da polêmica: uma abordagem semântico-discursiva das cartas do leitor acerca do falecimento de Hugo Chávez. Revista Metalinguagens, n. 1, p. 9-28, 2004a.

GONÇALVES SEGUNDO, Paulo Roberto. Indignação e culpa em cartas do leitor da Folha de S. Paulo: um estudo sobre a construção discursiva da tragédia de Santa Maria. Filologia e Linguística Portuguesa, São Paulo, n. 16, v. 1, p. 63-93, jan./jun. 2014b.

GONZAGA, Jair João. Intricate Cases in Clauses in SFG concerning the Grammar of Brazilian Portuguese. Tese (Doutorado em Letras/Inglês e Literatura Correspondente) – Universidade Federal de Santa Catarina, 2011.

GRADY, Joseph E. Metaphor. In: GEERAERTS, Dirk; CUYCKENS, Hubert (Org.) The Oxford Handbook of Cognitive Linguistics. New York: Oxford University Press, 2007. p. 188-213.

HALLIDAY, Michael. Language as social semiotic: the social interpretation of language and meaning. London: Edward Arnold, 1978.

HALLIDAY, Michael. Introduction to Functional Grammar. 3. ed. Revised by Christian Matthiessen. London: Hodder Arnold, 2004. 689 p.

HALLIDAY, Michael. Methods – techniques – problems. In: HALLIDAY, Michael; WEBSTER, Jonathan (Org.). Continuum Companion to Systemic Functional Linguistics. London: Continuum, 2009. p. 59-86.

KOCH, Ingedore. Argumentação e linguagem. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2002. 240 p.

LANGACKER, Ronald. Cognitive grammar: a basic introduction. New York: Oxford University Press, 2008. 573 p.

LEMKE, J. Textual politics: Discourse and Social Dynamics. London: Taylor & Francis, 2005.

LEMMENS, Maarten. Lexical perspectives on transitivity and ergativity: causative constructions in English. Amsterdam: John Benjamins, 1998.

LIMA-LOPES, Rodrigo Esteves; VENTURA, Carolina Siqueira Muniz. A transitividade em Português. Direct Papers 55, 2008. Disponível em: . Acesso em: 9 out. 2014.

MARTIN, James; WHITE, Peter. The language of evaluation: appraisal in English.New York/Hampshire: Palgrave Macmillan, 2005.

MATTHIESSEN, C. Systemic Functional Linguistics as appliable linguistics: social accountability and functional approaches. D.E.L.T.A.São Paulo, v. 28,


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2016 Estudos Linguísticos (São Paulo. 1978)