Preservação da lateral pós-vocálica no sudoeste do paraná
DOI:
https://doi.org/10.21165/gel.v22i2.3996Palavras-chave:
Lateral pós-vocálica, Português do Sudoeste do Paraná, Sociolinguística VariacionistaResumo
A realização do /l/ pós-vocálico, ou seja, em coda medial (ex.: “palco”) ou final (ex.: “sal”) pode apresentar variantes como o rotacismo, a velarização, a vocalização ou o apagamento (Tasca, 1999; Pinho; Margotti, 2010; Quednau, 1993; Espiga, 2001; Collischonn; Quednau, 2009; entre outros). No Sul do Brasil, entretanto, há registros também de uma tendência à preservação da lateral (Pinho; Margotti, 2010; Machry da Silva et al., 2020). Neste artigo, propomos uma descrição e discussão, pautada em uma análise sociolinguística, da preservação da lateral pós-vocálica no município de Francisco Beltrão-PR, a partir de estudos preliminares que indicam haver na região a probabilidade de manutenção da lateral, com pouca ocorrência de fenômenos como o rotacismo e a vocalização. Para tanto, foram coletados dados de fala de 14 informantes domiciliados no município, que se localiza na região sudoeste do Paraná, observando a preservação da lateral em relação a variantes como a vocalização, o rotacismo e a velarização. Os dados procedentes de uma análise descritiva e inferencial permitem confirmar a hipótese de que há predominância do uso da lateral pelos participantes. Formas variantes como o rotacismo e a vocalização aparecem em proporções consideravelmente menores, estando associadas a grupos mais específicos, com o uso do rotacismo entre os falantes com mais idade e, da vocalização por mais jovens.
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