“O rouge virou blush”. Será, Veríssimo? O que nos dizem os dados do Atlas Linguístico do Brasil/Centro-Oeste

Daniela de Souza Silva Costa

Resumo


Tendo por base a teoria do Relativismo Linguístico Sapir-Whorf, entendemos a língua como objeto social, meio pelo qual os homens, além de transmitir crenças, hábitos e conhecimentos, também compreendem sua realidade e mesmo a transformam. Nesse sentido, este estudo discute traços da realidade linguística do Centro-Oeste a partir dos nomes para rouge/blush proferidos pelos informantes do Projeto Atlas Linguístico do Brasil entrevistados em 21 localidades do interior e também nas três capitais de Estados dessa região, tendo por base o aporte teórico da Lexicologia, da Dialetologia e da Geolinguística. Como objetivos do trabalho, busca-se compreender como a realidade linguística pode revelar características como relações sociais e aspectos sócio-histórico-econômicos da comunidade em questão, além de se ratificar a importância dos estudos lexicais para o (re)conhecimento de realidades linguísticas em determinado tempo e espaço, aqui representados pelo Centro-Oeste no limiar do século XXI.

Palavras-chave


norma linguística; centro-oeste; rouge; Projeto ALiB

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DOI: https://doi.org/10.21165/el.v46i1.1756

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