O papel das professoras alfabetizadoras no desenvolvimento da entoação

Rosicleide Rodrigues Garcia

Resumo


Em 2015, por meio da análise de F0, isto é, da frequência fundamental, e utilizando a metodologia desenvolvida pelo Projeto ExProsodia, Garcia verificou que o processo entoacional diferencia-se entre uma pessoa alfabetizada e aquela que não o é. A diferença aparece na finalização da entoação, pois o tom final (TF) e o tom médio (TM) apresentam médias semelhantes quando o entrevistado apresenta baixo grau de escolaridade, algo que é notavelmente diferente aos que possuem mais anos de estudos. Logo, pensando nesse contraponto, decidiu-se analisar quando a finalização começa a sofrer mudança, já que crianças de 3 a 5 anos costumam trazer a mesma característica de alguém desfavorecido educacionalmente. Para isso, buscaram-se gravações de professoras alfabetizadoras da primeira série do ensino fundamental em situações de sala de aula e em entrevista, e o resultado prévio desse estudo é que elas podem produzir uma finalização plagal quando estão em contato com os alunos e a finalização autêntica quando estão na entrevista. Sendo assim, percebe-se que há uma espécie de child-directed speech relacionada à entoação utilizada nos primeiros anos do ensino fundamental.

Palavras-chave


fonologia; entoação; processo de alfabetização; child-directed speech

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DOI: https://doi.org/10.21165/el.v47i1.1957

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