Implicações das relações parentais para a terminologia de parentesco consanguíneo em Mehináku (Arawak)

Paulo Henrique Pereira Silva de Felipe

Resumo


A relação entre língua e cultura, e o modo como esses dois âmbitos da vida humana estão imbricados, tem encontrado guarida, há séculos, tanto na linguística quanto na antropologia. Dentre os temas que emergem dessa relação está o parentesco, que é foco de ambas as áreas porque está associado tanto a um sistema terminológico, e por isso figura como um tema linguístico, quanto a um sistema de atitudes que designa um conjunto de relações sociais entre indivíduos, e por isso está associado à antropologia. Neste trabalho, vamos apresentar uma descrição da terminologia de parentesco consanguíneo do povo Mehináku, a fim de verificar como se dá a nomeação dos entes familiares entre esse povo, e, mais, como essa terminologia pode variar a depender da relação que se estabelece entre nomeador e nominado. O povo Mehináku é falante de uma língua de mesmo nome, pertencente à família linguística Arawak, e falada por aproximadamente 400 pessoas que vivem às margens ou nas proximidades do Rio Kurisevo, no Território Indígena do Xingu, MT, Brasil.

Palavras-chave


terminologia de parentesco; língua Mehináku; família Arawak.

Texto completo:

PDF

Referências


ALMEIDA, M. W. B. Lewis Morgan: 140 anos dos Sistemas de Consanguinidade e Afinidade da família humana (1871-2011). Cadernos de Campo, São Paulo, n. 19, p. 1-384, 2010.

COELHO DE SOUZA, M. S. Da complexidade do elementar: para uma reconsideração do parentesco xinguano. In: VIVEIROS DE CASTRO, E. (org.). Antropologia do Parentesco. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1995. p. 121-206.

COELHO DE SOUZA, M. S. Faces da afinidade: um estudo bibliográfico do parentesco xinguano. 1992. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1992.

DUMONT, L. Introducción a dos teorias de la antropología social. Barcelona: Editorial Anagrama, 1975.

FLORIDO, M. P. As parentológicas Arawá e Arawak: um estudo sobre parentesco e aliança. 2008. Dissertação (Mestrado em Antropologia) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.

FRANCHETTO, B.; HECKENBERGER, M. Os povos do Alto Xingu: história e cultura. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.

GREGOR, T. Mehináku: o drama da vida diária numa aldeia do Alto Xingu. São Paulo: Cia Nacional, 1982.

GREGOR, T. Social relationships in a small society: a study of the mehinacu Indians of Central Brazil. 1963. Dissertation (Ph.D) - Columbia University, Columbia, 1963.

GALVÃO, E. Cultura e sistema de parentesco das tribos do alto rio Xingu. Boletim do Museu Nacional, Nova série, Antropologia, n. 14, p. 1-56, 1953.

ISA. Enciclopédia dos povos indígenas no Brasil. Versão eletrônica, 2008.

LÉVI-STRAUSS, C. As estruturas elementares do Parentesco. Petrópolis: Vozes, 1982.

LÉVI-STRAUSS, C. O futuro dos estudos de parentesco. In: LARAIA, R. B. (org.). Organização Social. Rio de Janeiro: Zahar, 1969 [1965]. p. 22-55.

LOPES, T. T. C.; FERREIRA, M. N. Terminologia de parentesco em Parkatejê. Espaço Ameríndio, Porto Alegre, v. 9, n. 1, p. 10-34, 2015.

LOWIE, R. A note on relationships terminologies. American Anthropologist, v. 30, n. 2, p. 263-267, 1928.

McLENNAN, J. Primitive Marriage. London: Routledge Press, 1998 [1865].

MORGAN, L. Ancient Society: researches in the lines of human progress from savagery through barbarism to civilization. London: Routledge Press, 1998 [1878].

MORGAN, L. Systems of Consanguinity and Affinity of the Human Family. Lincoln: University of Nebraska Press, 1997 [1871].

MURDOCK, G. P. Social Structure. New York: The MacMillan Company, 1949.

RADCLIFFE-BROWN, A. Preface. In: FORTES, M.; EVANS-PRITCHARD, E. E. (org.). African Political Systems. London: Oxford University Press, 1966. p. vi-xiii.

RADCLIFFE-BROWN, A. O método comparativo em antropologia estrutural. Coleção grandes cientistas sociais. São Paulo: Ática, 1978.

RADCLIFFE-BROWN, A. Estrutura e função na sociedade primitiva. Petrópolis: Vozes, 1973.

RADCLIFFE-BROWN, A. The study of kinships systems. The Journal of the Royal Anthropological Institute of Great Britain and Ireland, v. 71, n. 1/2, p. 1-18, 1941.

RODRIGUES, A. D. Notas sobre o sistema de parentesco dos índios Karirí. Revista Brasileira de Linguística Antropológica, v. 4, n. 2, p. 237-250, 2012.

RIVERS, W. R. Terminologia classificatória e matrimônio com primo cruzado. In: CARDOSO DE OLIVEIRA, R. A antropologia de Rivers. Campinas: Editora da Unicamp, 1991a [1913]. p. 71-94.

SILVA, M. Parentesco e Organização social na Amazônia: um rápido esboço. Anuário de Estudios Amerindios, Sevilla, v. 61, n. 2, p. 649-679, 2004.

SILVA, M. Tempo e espaço entre os Enawene-nawe. Revista de Antropologia, São Paulo,

v. 41, n. 2, 1998 [não paginado].

VIVEIROS DE CASTRO, E. Antropologia do Parentesco. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 1995.




DOI: https://doi.org/10.21165/el.v49i2.2468

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2020 Estudos Linguísticos (São Paulo. 1978)