Semiótica ou Estética: considerações sobre a epistemologia das Letras

Matheus de Brito

Resumo


De sua gênese, a Teoria da Literatura manteve com o Estruturalismo afinidades epistemológicas que subsidiaram a convergência da atividade crítica e do método analítico. Isso implicou, junto à normalização e à desmistificação do discurso literário, sua radical desestetização. A ambição de universalidade contida na equação irrefletida entre conhecimento válido e sistema de proposições teóricas promoveu nas Letras uma objetividade às expensas do objeto: as definições da linguística concorreram para o apagamento da dimensão material da experiência da linguagem. Se lidamos, porém, com um erro epistemológico – a saber, triplo: pressupor comensuráveis análise e crítica, saber e verdade, universal linguístico e particular estético –, a autorreflexão crítica deve esforçar-se por encontrar a superação das insuficiências que acompanham o entrelaçamento histórico entre linguística e estética.


Palavras-chave


teoria literária; linguística; crítica

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