A cortesia negativa na interação discursiva com falantes cultos de Porto Velho-RO

Rosa Maria Aparecida Nechi Verceze

Resumo


O artigo procura discutir o fenômeno da cortesia no texto falado de informantes de Porto Velho-RO com o objetivo de analisar a ocorrência dos procedimentos linguísticos da cortesia negativa utilizados para suavizar os atos que ameaçam as faces “FTA” em dois recortes de inquéritos desses informantes. Os FTA correspondem a fórmulas linguísticas e pragmáticas, cujas funções exercidas sobre a face negativa dos interlocutores podem minimizar, salvaguardar ou proteger as faces, favorecendo a cooperação e a negociação em uma situação de interação. A pesquisa se fundamenta na pragmática, no que concerne aos atos de fala (AUSTIN, 1990), no que se refere ao Princípio de Cooperação (GRICE, 1975), na Cortesia (BROWN; LEVINSON, 1987) e na análise dos procedimentos linguísticos da cortesia negativa (KERBRAT-ORECCHIONI, 2006). No que tange à metodologia, a pesquisa tem base etnográfica, consiste num estudo de caso, e se propõe a analisar dois recortes de inquéritos de fala selecionados da pesquisa de pós-doutoramento: “A cortesia na língua culta falada em Porto Velho”.

Palavras-chave


língua falada; preservação das faces; cortesia negativa; procedimentos linguísticos; fórmulas linguísticas

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DOI: https://doi.org/10.21165/el.v48i3.2321

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