A grafia usada nos livros didáticos oitocentistas: representação pseudoetimológica ou etimologizante?

Monalisa dos Reis Aguiar

Resumo


Neste trabalho, por meio de análise dos vocábulos utilizados nos livros didáticos de maior circulação no Brasil oitocentista, objetivamos verificar em que medida a grafia do período pode realmente ser considerada pseudoetimológica, conforme considera parte da literatura sobre o assunto. Para tanto, apoiados nos pressupostos teóricos da História das Ideias Linguísticas, examinamos vocábulos retirados de três livros didáticos direcionados ao ensino primário da época: Cartilha da Infância; Cartilha Nacional; e Primeiro Livro de Leitura. No percurso metodológico, seguimos os princípios propostos por Auroux (1992, p. 13): a definição puramente fenomenológica do objeto; a neutralidade epistemológica; e o historicismo moderado. Sendo assim, a ortografia não foi vista como um objeto de natureza estável; ao contrário, foi vista levando-se em conta a diversidade e os saberes sobre ela constituídos, pois, por ser um produto histórico, a ortografia é resultante da interação entre as tradições e contexto.


Palavras-chave


ortografia; pseudoetimologia; etimologizante

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