Engenharia Biomédica e Bioengenharia: termos similares?

Márcia de Souza Luz Freitas

Resumo


Os termos “engenharia biomédica” e “bioengenharia” são muitas vezes usados como sinônimos. Objetiva-se, neste artigo, verificar essa similaridade. O trabalho fundamentase nas teorias da Terminologia, com abordagem descritivo-analítica. Usou-se pesquisa documental para obtenção do corpus, formado por verbetes de dicionários on-line, resoluções do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA) e informações do Ministério da Educação (MEC). Os resultados mostram que o termo “bioengenharia” é apresentado nos dicionários de modo diferente dos demais documentos. O termo “engenharia biomédica” não está dicionarizado; entretanto, MEC e CONFEA usam-no para nomear uma área do conhecimento que inclui a Bioengenharia como subárea. Conclui-se que ele é um neologismo sintagmático resultante de um processo de neologia tradutiva.

Palavras-chave


terminologia; sinonímia; lexicologia; neologia tradutiva; engenharia biomédica

Texto completo:

PDF

Referências


ALVES, I. M. Terminologia e neologia. Tradterm, São Paulo, v. 7, p. 53-70, dez. 2001. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/tradterm/article/view/49142/53224. Acesso em: 16 jan. 2017.

ALVES, I. M. A renovação lexical nos domínios de especialidade. Ciência e Cultura, São Paulo, v. 58, n. 2, p. 32-34, jun. 2006a. Disponível em: http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252006000200013&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 10 jan. 2017.

ALVES, I. M. A observação sistemática da neologia lexical: subsídios para o estudo do léxico. Alfa, São Paulo, v. 50, n. 2, p. 131-144, 2006b. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/alfa/article/viewFile/1415/1116. Acesso em: 10 jan. 2017.

ALVES, I. M. Neologismo: Criação Lexical. 3. ed. São Paulo: Ática, 2007.

ALVES, I. M. A neologia do português brasileiro de 1990 a 2009: tradição e mudança. In: ALVES, I. M. (org.). Neologia e neologismos em diferentes perspectivas. São Paulo: Paulistana, 2010. p. 63-82.

ALVES, I. M. Neologia tradutiva em textos de economia. ReCIT – Revista del Área de Traductologia, Córdoba, n. 2, p. 97-109, 2011.

ANTONIO, A. M. A bioengenharia no Brasil, século XX: estado da arte. 2004. Dissertação. (Mestrado) – Instituto de Química de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2004.

AULETE DIGITAL. [on-line]. Dicionário Caldas Aulete. Rio de Janeiro: Lexicon Editora Digital, 2008. Disponível em: http://www.aulete.com.br/on-line. Acesso em: 19 jan. 2018.

BARROS, L. A. Curso básico de terminologia. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2004.

BIOENGINEERING. Encyclopaedia Brittanica. [Copyright 2018]. Disponível em: https://www.britannica.com/technology/bioengineering. Acesso em: 22 jun. 2018.

BOULANGER, J.-C. Une lecture socio-culturelle de la terminologie. Cahiers de linguistique sociale, v. 18, p. 13-30. 1991.

BOULANGER, J.-C.; L’HOMME, M.-C. Les technolectes dans la pratique dictionnairique générale. Quelques fragments d’une culture. Meta, v. 36, n. 1, p. 23-40. mar. 1991.

CAPES. COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR. Tabela de Áreas de Conhecimento/Avaliação. Brasília: Ministério da Educação, 2014. Disponível em: http://www.capes.gov.br/avaliacao/instrumentos-de-apoio/tabela-de-areas-do-conhecimento-avaliacao. Acesso em: 19 jun. 2015.

CAPES. COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR. Documento da área: Engenharias IV. Avaliação quadrienal. Brasília: Ministério da Educação; Diretoria de Avaliação. 2016. Disponível em: https://capes.gov.br/images/documentos/Documentos_de_area_2017/14_ENG_IV_docarea_2016.pdf. Acesso em: 25 jan. 2018.

CONFEA. CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA. Resolução 1.010. Publicado: 2005. Disponível em: http://normativos.confea.org.br/ementas/visualiza.asp?idEmenta=550. Acesso em: 28 out. 2016.

CONFEA. CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA. Decisão PL-0034. Publicado: 2008a. Disponível em: http://normativos.confea.org.br/ementas/visualiza.asp?idEmenta=39560. Acesso em: 28 out. 2016.

CONFEA. CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA. Tabela de títulos e profissões. Publicado: 2008b. Disponível em: http://normativos.confea.org.br/downloads/anexo/0473-02.pdf. Acesso em: 28 out. 2016.

CONFEA. CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA. Decisão PL-1451. Publicado: 2015. Disponível em: http://twixar.me/qgRK. Acesso em: 28 out. 2016.

CONFEA. CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA. Resolução 1.103. Publicado: 2018. Disponível em: http://normativos.confea.org.br/ementas/visualiza.asp?idEmenta=66643. Acesso em: 28 ago. 2018.

E-MEC. SISTEMA E-MEC. Brasília: Ministério da Educação. Disponível em: http://emec.mec.gov.br/. Acesso em: 25 ago. 2018.

GAUDIN, F. Socioterminologie: Des problèmes semantiques aux pratiques institutionnelles. Rouen: Université de Rouen, 1993.

HERMANS, A.; VANSTEELANDT, A. Néologie traductive. Terminologies Nouvelles, Bruxelles, v. 20, p. 37-43, dez. 1999. Disponível em: http://termisti.ulb.ac.be/archive/rifal/PDF/tn20/rint20.pdf. Acesso em: 04 fev. 2017.

HOUAISS. [on-line]. Grande Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Instituto Antônio Houaiss, 2009. Disponível em: https://houaiss.uol.com.br/pub/apps/www/v3-3/html/index.php#2. Acesso em: 19 jan. 2018.

KASAMA, D. Y.; ALMEIDA, G. M. de B.; ZAVAGLIA, C. A influência das novas tecnologias no léxico: processos de formação neológica no domínio da nanociência e nanotecnologia. Debate terminológico, n. 4, 2008 [não paginado]. Disponível em: http://seer.ufrgs.br/riterm/article/view/23843/13832. Acesso em: 20 jul. 2018.

KRIEGER, M. G.; FINATTO, M. J. B. Introdução à Terminologia: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2004.

LEB. LABORATÓRIO DE ENGENHARIA BIOMÉDICA. O Laboratório e a Engenharia Biomédica. São Paulo: Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP), 2014. Disponível em: http://www.leb.usp.br/. Acesso em: 21 abr. 2015.

LYONS, J. Linguagem e linguística: uma introdução. Tradução Marilda Winkler Averbug e Clarisse Sieckenius de Souza. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1987 [1981].

MICHAELIS. [on-line]. Michaelis Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 2015. Disponível em: http://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/. Acesso em: 19 jan. 2018.

PEB. PROGRAMA DE ENGENHARIA BIOMÉDICA. Definindo Engenharia Biomédica. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2011. Disponível em: http://www.peb.ufrj.br/eb.htm. Acesso em: 04 jul. 2016.

PLATAFORMA SUCUPIRA. CAPES. Brasília: Ministério da Educação. Disponível em: https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/programa/listaPrograma.jsf. Acesso em: 22 jan. 2017.

PLATAFORMA SUCUPIRA. CAPES. Brasília: Ministério da Educação. Disponível em: https://goo.gl/x8hmGN. Acesso em: 17 mar. 2018.

REY, Al. La terminologie: noms et notions. Collection que sais-je? Paris: P.U.F., 1979.

SBEB. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENGENHARIA BIOMÉDICA. Boletim da SBEB. Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica, Rio de Janeiro, n. 1, dez. 2015. Disponível em:

http://www.sbeb.org.br/. Acesso em: 23 nov. 2016.

TIBÚRCIO, T. Acidentes de trânsito mostram importância da bioengenharia. Brasília: Equipe de Comunicação do Confea. 27 fev 2009. Disponível em: http://www.confea.org.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=7661&sid=10. Acesso em: 28 out. 2016.

ULLMANN, S. Semántica. Introducción a la ciencia del significado. 2. ed. Tradução Juan Martín Ruiz Werner. Madrid: Aguilar, 1972 [1962].

WEBSTER American Dictionary of the English Language. [Atualização e Copyright 2018]. Disponível em: https://www.merriam-webster.com/. Acesso em: 19 fev. 2018.

WÜSTER, E. Introducción a la Teoría General de la Terminología y a la Lexicografía Terminológica. Tradução A. Nokerman. Barcelona: Institut Universitari de Lingüística Aplicada / Universitat Pompeu Fabra, 1998 [1979].




DOI: https://doi.org/10.21165/el.v48i1.2244

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2019 Estudos Linguísticos (São Paulo. 1978)