Políticas de gabinete e o professor engessado: uma análise dos documentos oficiais da Prefeitura Municipal de São Paulo

Aline Akemi Nagata

Resumo


Este trabalho tem por objetivo analisar os documentos oficiais publicados pela Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP), a saber: as Orientações Curriculares (OC) e os Cadernos de Apoio e Aprendizagem (CAA), buscando compreender as consequências da implementação de políticas de gabinete no trabalho diário do professor. A hipótese defendida é de que, aos poucos, o currículo e as formas de trabalho e avaliação vêm sendo impostas às escolas, reduzindo a autonomia do professor. Além disso, tais publicações parecem ter como propósito a avaliação de unidades de ensino e professores, ignorando a diversidade de público atingida pela própria PMSP. Dessa forma, buscamos responder a seguinte questão: qual é o papel do professor e do aluno na definição do currículo escolar, considerando que todas as decisões (conteúdos, materiais, metodologia) vêm de outras instâncias (Governos e Secretarias), sem serem discutidas com os envolvidos no processo?


Palavras-chave


Orientações curriculares; Prefeitura de São Paulo; autonomia; professor

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